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Um valente francês escocês

17 MAR 2015
17 de Março de 2015
No dia 12 do mês de outubro do ano de 1804, o Irmão Alexandre François Auguste de Grasse, Marquês de Tilly, autorizado pelo Supremo Conselho dos Estados Unidos da América do Norte, sediado em Charleston, após elevar alguns Maçons ao Grau 33º, fundou o Supremo Conselho de França o segundo mais antigo e em atividade no mundo. Exerceu o cargo de Soberano Grande Comendador nos períodos de 1804 a 1806 e 1818 a 1821, vindo a falecer na data de 14 de maio de 1822.

Existem Irmãos que contribuíram decisivamente para o engrandecimento da Maçonaria e dos Ritos que a compõem. O próprio De Grasse é um exemplo de devotamento à Maçonaria e ao Rito Escocês Antigo e Aceito.

Defendo a tese que devemos valorizar e divulgar a vida e a obra destes Maçons que nos deixaram uma história riquíssima seja nos aspectos histórico, administrativo ou litúrgico.

Ao ler a obra Os Fios da Meada de autoria do Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro, tomei conhecimento da vida e obra do Irmão Jean-Pons-Viennet Guillaume, oitavo Soberano  Grande Comendador do Supremo Conselho de França, que se tornou uma das figuras maçônicas mais respeitada em sua época, deixando um legado de coragem, dedicação e respeito aos Graus Filosóficos em nossa Instituição.

Jean-Pons-Viennet Guillaume nasceu na data de 18 de novembro de 1777 na cidade de Beziers, departamento de Herault na França. Sua família era de origem italiana. Concluiu seus estudos na Faculdade de Beziers, uma das mais tradicionais escolas franceses. Foi militar, poeta, dramaturgo e político. 

Contrariou sua família e ingressou na Marinha francesa aos dezenove anos de idade. Na primeira campanha que participou, no ano de 1797, foi aprisionado pelos ingleses permanecendo encarcerado por sete meses. Neste período aprimorou seus dotes poéticos e literários, além de desenvolver sua habilidade como ator. Ganhou a liberdade em uma troca de prisioneiros, retornando as suas atividades na  Marinha francesa. 

Na capital francesa, por volta de 1812, começou a exercitar a sua qualidade de escritor. No decorrer de sua vida literária produziu epístolas, tragédias, comédias e poemas, sendo algumas destas obras premiadas. Ingressou na Academia Francesa de Letras em 18 de novembro de 1830, sucedendo o Conde de Segur na Cadeira de número 22.

Era possuidor de um talento extraordinário para autopromoção, tendo se relacionado com todos os vultos políticos e literários de sua época. Sua carreira como militar, artista e político foi longa e marcada por confrontos.

Foi iniciado na Maçonaria muito jovem. Exerceu o cargo de Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho da França no período de 1860 a 1868.

No ano de 1862 os membros do Grande Oriente de França estavam envolvidos na eleição para o Grão-Mestrado. Concorriam ao cargo dois Príncipes: Lucien Murat candidato a reeleição e Jérôme Bonaparte pela oposição.

Devido as hostilidades reinantes entre os grupos que concorriam ao pleito, o Imperador Napoleão III interveio na Obediência Simbólica decretando que: “a nomeação do Grão-Mestre da Ordem Maçônica na França cabia, única e exclusivamente, a ele”. Em seguida nomeou um interventor.

O escolhido para exercer este cargo foi o Marechal e profano Bernard Pierre Magnan, que ao tomar posse como Grão-Mestre de todos os Maçons franceses recebeu, de uma só vez, todos os 33 (trinta e três) Graus do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Por desconhecer a independência entre o Simbolismo e os Graus Filosóficos, o interventor convocou ao seu gabinete Jean-Pons-Viennet Guillaume, então com 84 anos de idade, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho de França.  Esta convocação tinha como objetivo tratar de assuntos administrativos, como a obrigatoriedade dos Corpos subordinados ao Supremo Conselho de se reunirem nas dependências do Grande Oriente juntamente com as Lojas Simbólicas.

O Irmão Viennet foi firme e comunicou que os Graus Filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito são subordinados, única e exclusivamente, ao Supremo Conselho de França e que este continuaria sob sua autoridade.

Insatisfeito, o Marechal Magnan através de um Decreto datado de 22 de maio de 1862 "dissolve" o Supremo Conselho de França. Em resposta a este absurdo o Soberano Grande Comendador encaminhou manifestação oficial onde comunica desconhecer citado documento por considerá-lo ilegal.

O interventor tentou por todos os meios convencer o Imperador a assinar um ato formalizando a submissão do Supremo Conselho ao Grande Oriente, entretanto, não obteve êxito. Sobre este embate, o historiador Paul Naudon escreveu: “o Supremo Conselho continuou livre e independente. O tenente-coronel da reserva bateu o Marechal da França...”.

Apesar da perseguição imposta pelo Marechal Magnan, a independência entre os chamados Graus Simbólicos ou Graus Universais (1º ao 3º Grau) e os Graus Filosóficos ou Altos Graus (4º ao 33º) foi mantida.

No ano de 1867 o Marechal Magnan foi sucedido no cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente de França pelo General Mellinet, que reatou os laços de amizade com o  Supremo Conselho de França.

Não podemos avaliar os desdobramentos e eventuais prejuízos causados ao Rito Escocês Antigo e Aceito na França, caso o Irmão Viennet não tivesse tomado esta atitude corajosa e ousada. Porém, temos a convicção que este Irmão, juntamente com Alexandre e François Auguste de Grasse, são os maiores expoentes do Rito Escocês Antigo e Aceito em território francês.

O nosso homenageado faleceu na localidade francesa de Val-Saint-Germain na data de 10 de julho de 1868, com 90 anos de idade, estando seu corpo sepultado na Capital francesa.

"Pela sua coragem, integridade e firmeza de suas posições,  Viennet merece o respeito dos Maçons de todos os Ritos". (Irmão João Guilherme da Cruz Ribeiro)

Por Almir de Araújo Oliveira.

Bibliografia:

RIBEIRO, João Guilherme da Cruz. Os Fios da Meada – origens, evolução e imagens do Rito Escocês Antigo e Aceito. 1ª Ed. Zit Gráfica e Editora. 2007. Rio de Janeiro. 125 p.
Disponível: <fr.wikipedia.org/.../Jean-Pons-Guillaume_Viennet> Acesso em 27/agosto/2010.
Disponível: <www.academie-francaise.fr/immortels/.../fiche.asp?...> Acesso em 10/09/2010.
Disponível: <www.servinghistory.com/.../Jean-Pons-Guillaume_Viennet>. Acesso em 10/09/2010.
Disponível: <www.museumstuff.com/.../Jean-Pons-Guillaume_Viennet> Acesso em 10/09/2010.
Disponível: <www.ville-beziers.fr/encyclopedie/index.cfm?...6> Acesso em 11/09/2010.
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